quinta-feira, 30 de abril de 2015

Palavras magoam, afastam e acabam com relações.

Resultado de imagem para discussão casal silhueta- Deixa de ser mulherzinha!

Essa foi a frase que colocou um ponto final no namoro da moça. Ela aflita se pergunta o motivo. Precisa mais?


Garotos passam a infância ouvindo que não podem chorar, não podem fazer um monte de coisas para não parecerem "mulherzinha". Traços de fraqueza ou sensibilidade são mal vistos. 

Rapidamente criticados. É cruel a construção do que se entende por macho e a desconstrução da sensibilidade dentro das famílias.

A moça espera mesmo que ele escolha uma parceira que lhe repita a mesma horrorosa e temida frase que ele odiava escutar? Esse é só um exemplo. Muitas são as frases que nos magoaram, magoam ainda e não queremos mais escutar. Quando ele chutou a frase para longe, a moça foi junto. Ele volta? Quem sabe, né? Se voltar, mais cuidado daqui para a frente.


Relacionamentos são como meias. As novas têm boa aderência. Esquentam, são bonitas, confortáveis, mas exigem cuidados permanentes para continuarem sendo um par. É muito comum uma sumir após momentos de turbulência. Momentos de centrifugação costumam desfazer bons pares.

As meias lindas e intactas, com o tempo, perdem o elástico, esticam, ficam desbeiçadas. Desbocadas também. Na garantia de nos sentirmos donos do outro, falamos e fazemos mais do que devíamos.
Pior, já sabemos bem onde é que machuca, onde o calo dói. Em casos de raiva, pisamos com força. Somos certeiros. Para machucar mesmo. Partimos para cima do parceiro. O jogo dá uma travada. É pênalti.

A mágoa fica pelo ar. A gente se olha de banda. Rola um cartão amarelo. Às vezes vontade de um vermelho. Por sorte a memória da história percorrida ampara. A vontade de time é mais forte. E o afeto baqueia, mas acaba seguindo em frente. Meia velha também esquenta o pé. E noites frias sempre estão por aí. A gente vai ficando, com o tempo a raiva passa e a mágoa desbota, perde a cor.

Relações recém-iniciadas são lindas. Mas, na beleza do momento ,a gente esquece que são ainda embriões de amor. A imagem do outro ainda está em formação. É um frágil período de conhecimento e formação de opinião. Se bem que período de conhecimento é sempre. A cada dia somos novos e diferentes.
Conforme conhecemos o parceiro, o tempo nos deixa mais cascudos em relação ao outro. Só que, na nova relação, esse tempo ainda não passou. Por isso são tão delicados os caminhos a serem trilhados.

Relações novas são delicadas estradas de pedras pontudas para percorrer. É preciso muito cuidado. Há que se pisar devagar. Uma grosseria, uma falta de atenção, uma palavra mais áspera num momento infeliz, pode ser a gota d 'água. Depois do balde transbordar, já era.

Palavras saem fáceis. Esse é o problema. Por raiva, por exibicionismo, por falta de noção mesmo. A vontade que a gente tem de se mostrar maravilhoso, pode atropelar o parceiro. Muitas vezes causar certo enjoo.

Como parente que viaja e traz o álbum de cinco mil fotos para você apreciar cada detalhe. A intenção é agradar. Mostrar que sabe, que consegue. Ganhar a afeição e a admiração do parceiro. Mas não é o que acontece. Na maioria das vezes, mesmo que o outro não fale nada, corremos grande risco de passar por bobões.

No medo de perder, na insegurança de que o outro parta, somos cruéis. Machucamos. Na aflição de se mostrar super e ser querido, ficamos chatos e inconvenientes. Em todos os casos, metemos os pés pelas mãos.
Se o outro quer partir, que parta. Dê tchau. No caso dele ficar, se acalme. O que for bom, de verdade, o outro vai descobrir.
Por um amor menos barulhento e verborrágico. Por mais olho no olho e menos lero lero. Por menos pênaltis e mais gols e torcida. Por mais corrida para o abraço! Se eu me candidatar, essa será minha plataforma! É isso, meu povo. Boa sorte, moça.
Mande sua história para monica.bayeh@extra.inf.br

Por: Mônica Raouf El Bayeh

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